quarta-feira, 11 de maio de 2011

LEPTOSPIROSE: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO APÓS O TRATAMENTO


(Em resposta à dúvida enviada ao blog)

A Leptospirose, mais que uma doença que acomete os cães, é uma importante zoonose em nossa região. Registramos (dados do laboratório LAPACLIVE) no mês de abril deste ano um aumento de 18% de casos positivos em relação ao mesmo período do ano passado.

Além de debilitar o cão, ele poderá se tornar um disseminador da doença mesmo após o tratamento. Por isso o diagnóstico e o monitoramento do paciente após o tratamento tornam-se imprescindíveis.

A reação de soro aglutinação microscópica é o teste sorológico recomendado pela Organização Mundial de Saúde e amplamente utilizado como prova-padrão no diagnóstico da leptospirose humana e animal. Esta reação utiliza como antígenos cultivos vivos e recentes de Leptospira. Os anticorpos podem ser revelados pela aglutinação com soro coletado entre o 8º e 10º dia após o início do estado de leptospiremia, ou seja, após o início dos sintomas (sendo que o período de incubação varia de 7 a 14 dias, o diagnóstico sorológico pode ser considerado tardio).

O resultado negativo (não-reagente) de qualquer exame sorológico específico para a leptospirose (macroaglutinação, microaglutinação, Elisa-IgM, ou outros), com amostra sangüínea coletada antes do 7º dia do início dos sintomas, não descarta o caso suspeito, pois nesta fase falso-negativos podem ocorrer. Outra amostra sangüínea deverá ser coletada a partir do 8º dia do início dos sintomas, para auxiliar na interpretação do diagnóstico (lembrar que o pico de produção de anticorpos ocorre a partir do 14º dia do início dos sintomas, e alcançam título máximo ao redor de um mês). Neste ponto encontramos outra dificuldade: o proprietário saberia relatar com precisão quando iniciaram os sintomas?

Outro aspecto é que frequentemente, havendo quadro clínico compatível, o tratamento já é instituído, e por isso muitas vezes pode não ocorrer a soroconversão, assim, apesar do cão ter sido infectado com Leptospirose o teste sorológico permanece negativo, mas ele poderá eliminar o agente pela urina.

Uma alternativa para estes casos é a pesquisa de Lepstospira por PCR (reação em cadeia da polimerase). Como a leptospiremia ocorre de 4 a 12 dias pós-infecção (portanto, antes mesmo do início dos sintomas), e a leptospirúria pode ser detectada a partir do 7° dia, e mais seguramente a partir do 10º dia de infecção (a eliminação pode se tornar intermitente, por isso pode ocorrer falso-negativo em amostras de urina), a realização de pesquisa por PCR em amostra de sangue e urina pode detectar o agente numa fase inicial da doença e também em fase avançada (na urina).

É importante lembrar que animais convalescentes também podem eliminar a Leptospira pela urina durante meses ou anos, sendo importante o monitoramento do paciente para assegurar que não oferece risco à família. Este monitoramento pode ser feito através da pesquisa de Leptospira por PCR em amostras de urina obtidas após o tratamento (8 a 10 dias após), para se certificar da negatividade da leptospirúria em longo prazo.

O tratamento dos animais acometidos objetiva não somente o restabelecimento do paciente, mas também a eliminação da infecção renal que leva à contaminação do ambiente.

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